Imagem: Pixabay

Haviam 28 oportunidades prestes a serem perdidas 


Na pequena cidade onde moro, daquelas em que o nome do dono da loja vale mais que o logo estampado na fachada, existe um comércio tradicional. Uma referência. Conheço o dono de longa data, e por isso, não hesitei em procurar o serviço dele quando precisei resolver um problema em casa. Sabia que o trabalho seria bem feito, o preço justo e o atendimento, no mínimo, acolhedor. Pelo menos era o que eu esperava.


Na véspera, mandei uma mensagem para o WhatsApp da loja pedindo um orçamento. Nada complexo, uma dúvida simples. Esperei. Nada. No dia seguinte, resolvi ir pessoalmente.

— Resolvi vir até aqui porque mandei mensagem ontem e não obtive resposta, comentei, assim que fui atendido.

Ele sorriu, meio encabulado:

— Eu olho o WhatsApp só no fim do dia. Preciso priorizar o atendimento presencial, né?

Como temos intimidade, fui além da conversa superficial.

Perguntei:

— Quantas pessoas vêm aqui pedir orçamento por dia?

— Umas 10, respondeu, convicto.

— Abre o WhatsApp aí pra gente ver uma coisa?

Ele topou, curioso. Na tela, 28 mensagens não lidas. Vinte e oito.

— Vamos ver quantas são de orçamento?

Metade. Mais da metade, na verdade. Gente pedindo informações, querendo saber preços, prazos, condições. Clientes em potencial, dinheiro na mesa. Todos ignorados, ao menos por um tempo considerável.

E isso num cenário em que ele próprio vinha reclamando que o movimento estava caindo, que concorrentes de outras cidades estavam “roubando” os clientes. Ora, por que será?

A loja é impecável. O serviço é de qualidade. O preço é competitivo. A reputação é sólida. Mas tudo isso perde força diante de um obstáculo banal e, ao mesmo tempo, devastador: o silêncio.


Num mundo onde a resposta rápida virou sinônimo de profissionalismo, demorar para responder uma mensagem pode significar a perda de uma venda. Um cliente que espera é um cliente que procura outra opção. E quem não responde, se apaga, mesmo que tenha décadas de tradição.

A reflexão é inevitável: quantos negócios, assim como esse, estão ruindo não pela má gestão, não pela crise, nem pelos concorrentes, mas pela incapacidade de ouvir o cliente no tempo certo?


A tecnologia não é inimiga. O WhatsApp, os e-mails, os formulários online, são extensões da porta de entrada da loja. Ignorá-los é o mesmo que deixar alguém esperando no balcão, em silêncio, até desistir.

Tradição, qualidade e bons preços ainda são valiosos. Mas, hoje, nada disso sustenta um negócio sem uma comunicação eficiente. O mundo mudou, e quem não escuta, simplesmente não é mais ouvido.

Autor: Patrícia Loureiro Steffanello

Sócia-fundadora da Life Marketing e Comunicação

Copywriter, Especialista em Neuromarketing e Marketing Estratégico 

@patisteffanello | 💼 www.lifecomunicacao.com.br

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Mesmo sendo da área, quase caí num golpe durante o lançamento de infoproduto As pessoas realmente não têm mais paz, principalmente no mundo digital. Com tantos avanços tecnológicos, a cada dia surgem novas formas de aplicar golpes, e os alvos, agora, não são apenas os desavisados, mas até mesmo os que trabalham na área. Digo isso com propriedade porque quase fui vítima de um golpe muito bem articulado durante uma campanha de Black Friday. Tudo começou quando fui impactada por um anúncio de um infoprodutor da minha área de atuação. A oferta me chamou a atenção: tratava-se de um lançamento relevante, com conteúdos que me interessavam e poderiam agregar ao meu trabalho. Fiz o cadastro normalmente e, como de praxe, fui direcionada ao grupo oficial do expert no WhatsApp para receber as comunicações. Até aí, tudo certo. O problema começou logo após minha entrada no grupo. Fui chamada no privado por um número que supostamente era da equipe comercial do infoprodutor. A mensagem dizia que meu número havia sido selecionado entre 100 pessoas para receber acesso vitalício a todos os produtos do especialista antes de todo mundo. Segundo eles, o valor original de todos os cursos somados ultrapassava R$ 5 mil, mas, como parte da ação promocional, estavam oferecendo tudo por R$ 497, com validade de apenas 30 minutos. Até aí, eu já estava desconfiada, afinal, conheço o mercado e sei que esse tipo de acesso dificilmente seria ofertado assim, de forma tão aleatória. Mas os golpistas foram além. Recebi um áudio com a voz do próprio infoprodutor, reforçando a urgência da oferta. Só que, na verdade, era um áudio gerado por inteligência artificial. A manipulação foi tão convincente que por alguns minutos eu duvidei da minha própria experiência. Cliquei no link enviado e fui direcionada para um checkout aparentemente profissional. Mas aí vieram os sinais vermelhos: a única forma de pagamento disponível era via PIX. Nada de cartão, boleto ou qualquer outra opção comum em plataformas consolidadas como Hotmart, Eduzz ou Sympla. Foi nesse momento que resolvi parar e olhar com mais calma. O link no navegador não era de uma plataforma confiável, e, mesmo assim, poucos minutos depois o número me chamou de novo, perguntando se eu já tinha realizado o pagamento. Quando respondi que havia desistido, nunca mais recebi retorno. Em seguida, entrei em contato com a equipe oficial do expert, e veio a confirmação: sim, golpistas estavam se passando por membros da equipe, infiltrados no grupo para aplicar esse tipo de fraude. A partir desse episódio, resolvi compartilhar minha experiência, porque, se eu que trabalho com esse tipo de produto, quase caí, imagina quantas pessoas podem estar sendo enganadas por esse esquema? O que observar para não cair nesse tipo de golpe: Verifique o domínio do site no navegador. Plataformas confiáveis usam endereços com final . com.br ou domínios já consolidados no mercado. Cuidado com variações como ".net", ".store", ".info". Desconfie de preços baixos demais. Se a oferta for muito boa para ser verdade, desconfie. Pode ser um sinal claro de golpe. Pagamentos só via PIX? Desconfie. Infoprodutos sérios oferecem gateways de pagamento com múltiplas opções (cartão, boleto, parcelamento). Confirme se o produto será entregue por e-mail. Essa é uma prática comum e segura nas plataformas reconhecidas. Nunca clique em links vindos de fontes não verificadas, especialmente em mensagens privadas ou disparos no WhatsApp. Nunca envie dados pessoais, senhas ou códigos via mensagem. Equipes profissionais nunca pedem esse tipo de informação fora do ambiente de checkout. Tenha antivírus instalado e mantenha seus dispositivos atualizados. Desde a pandemia de 2019, a digitalização do consumo de conteúdo disparou, e com ela vieram também os oportunistas. A cada nova estratégia de marketing legítima, parece que os golpistas estão logo atrás, replicando os métodos com intenções criminosas. Por isso, a regra é simples, mas vital: desconfie. Tenha cautela, verifique os detalhes, questione a urgência. Se tiver dúvidas, procure ajuda de alguém com experiência ou entre em contato diretamente com o infoprodutor pelos canais oficiais. E acima de tudo, denuncie. Reportar esses casos ao Procon e aos canais apropriados pode evitar que mais pessoas sejam enganadas. Afinal, no mundo digital de hoje, informação é nossa melhor defesa.
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